Arquivo de Julho, 2008

Tráfico

Posted in Comentarios on Julho 23, 2008 by locupletado

Armada com R$ 20 milhões de dinheiro próprio e R$ 20 milhões que espera obter junto a investidores, a Traffic está comprando contratos de jovens jogadores de futebol por todo o Brasil. Ela então empresta os jogadores para as equipes, que pagam a eles um salário e também permitem que exibam seu talento. Se forem contratados por um grande clube europeu, a Traffic e seus parceiros colhem a maior parcela da taxa de transferência. (O jogador, como de costume, recebe um bônus pela assinatura do contrato e, freqüentemente, um alto salário.)

“Em vez de investir em ações ou em imóveis”, disse Júlio Mariz, o presidente da Traffic, “estas pessoas estão investindo na compra dos direitos econômicos dos jogadores de futebol”.(jornal The New York Times)

 Olheiro da Traffic

– Nos últimos 4 anos a exportação de jogadores brasileiros aumentou assombrosamente. Acredito que o surgimento do tipo de serviço, como da Traffic(“Don King do futebol”), é um dos grandes responsáveis pelo crescimento.

– O jornal Lance fez um raio-x da situação financeira dos clubes de futebol brasileiro na última semana  numa série especial que durou alguns dias. É unanimidade: todos os clubes estão em crise econômica. Obviamente que o novo serviço não é o único culpado. Grande parte dos clubes são mal administrados.

– Sou palmeirense, não dos roxos. O alviverde é o principal parceiro da Traffic.

Ladrão de Galinha e o Tubarão

Posted in Comentarios on Julho 10, 2008 by locupletado

Tá virando rotina as crônicas do Luiz Fernando Veríssimo aparecerem aqui no blog, mas as vezes manter uma rotina faz bem. A crônica de LFV abaixo é sobre a prisão de Daniel Dantas, que segundo edição de ontem do Jornal do Brasil possui 70 fantoches(deputados) na Camara dos Deputados e 13 senadores debaixo de suas mãos. Daniel também é acusado de ganhar muita grana com as privatizações do governo FHC, e desde aquela época mantém forte laços com governo federal. FHC saiu mas Daniel fez novas amizades com o pessoal do PT. Recentemente ganhou, de forma duvidosa, R$1 bilhão com venda da Brasil Telecom. Bom isto vocês já devem saber, agora segue a crônica de Luis Fernando Veríssimo:

Quem deve estar festejando a prisão do Daniel Dantas é o Ladrão de Galinha. Mesmo que o banqueiro já esteja solto, só o fato de vê-lo sendo levado pela polícia certamente encheu de alegria o coração do Ladrão de Galinha e o levou a gritar coisas como “Até que enfim!” dentro da sua cela superlotada, em algum lugar do território nacional. O Ladrão de Galinha é aquela figura sempre citada do folclore brasileiro quando se fala das desigualdades da nossa justiça, o cara que vai preso por um crime menor, sem apelos e recursos, enquanto crimes maiores ficam impunes, ou suspeitos de roubos maiores escapam da prisão.

O Ladrão de Galinha já tinha tido outros motivos para festejar, é verdade, desde que começou o novo ativismo da Polícia Federal, que de uns anos para cá tem prendido muita gente que ninguém esperava. Mas o Daniel Dantas é diferente. Nem interessa ao Ladrão de Galinha saber se o Daniel Dantas é culpado ou inocente do que é acusado. Para ele, Daniel Dantas é um símbolo. O Ladrão de Galinha se considera o anti-Daniel Dantas. É seu oposto em tudo. Seu crime é sempre claro e indiscutível: ele rouba galinhas. É flagrado e preso e pronto. Nada mais insofismável.

Já os “crimes” do Daniel Dantas, ou as suspeitas de crimes pelas quais ele agora foi preso, pertencem ao mundo crepuscular do empreendimento capitalista, onde as regras e os costumes, e a fronteira entre a falcatrua e o bom negócio, se diluem. Quer dizer, nada mais sofismável. Há anos que Daniel Dantas opera nesse lusco-fusco moral, e nem nas críticas que recebe pode-se definir o que seja inveja ou estratégia inimiga e o que seja indignação genuina. Por isso o extremo oposto a roubar galinhas não é o assassinato em série, ou outro crime tão enorme que absolva o Ladrão de Galinha  pelo contraste. É o crime indefinido, o que impede o flagrante e dribla a justiça pela indefinição, ou compra a definição favorável.

O Ladrão de Galinha tem, portanto, todo o direito de achar que, se prenderam o Daniel Dantas, as coisas estão mesmo mudando. E de fazer planos profissionais para a próxima vez que for solto: se estão prendendo os daniéis dantas, talvez estejam aliviando o roubo de galinhas.

Aulas.

Posted in Comentarios on Julho 2, 2008 by locupletado

Ele é praticamente o Pelé do jornalismo. Na verdade ele e seu parceiro Bob Woodward formaram uma éspecie de dupla de ataque. Juntos derrubaram um presidente, coisa que praticamente todos os jornais, revistas e tv’s brasileiros tentaram fazer com o Lula um tempinho atrás e não conseguiram. Ele é Carl Beirsntein. Ele e seu amigo Bob são responsáveis pelo Impeachment de Nixon, no famoso “Caso Watergate”. Para quem nunca ouviu falar nessas figuras eu sugiro um filme: “Todos os Homens do Presidente”. Se você é estudante de jornalismo e não conhecia estes caras eu peço que se dê 5 chibatadas, em regiões periféricas do corpo. As “regiões” fica por sua escolha.

 Bom voltando ao assunto, eu tava mexendo aqui na net e entrei no site do Geneton(não vou perder tempo para explicar, ele é um jornalista), e me deparei com a entrevista que ele fez recentemente com o Bernstein. Tá ai o link:   http://www.geneton.com.br/archives/000275.html 

O Geneton por sinal é muito bom também. O filme e a entrevista são duas aulas de jornalismo. Falando em aula de jornalismo eis uma aula de vida envolvendo o assunto, que também li nestes dias mexendo na net:

O estudante Eduardo Silva Purper, de 22 anos, tem paralisia cerebral, é cadeirante, tem dificuldades para escrever e apenas 20% da visão. Entretanto, apesar de todos as dificuldades, ele está terminando sua monografia de final de curso, e em breve se formará em jornalismo. Para cursar a faculdade, ele acompanhava as aulas ouvindo atentamente o professor, e seu pai, o aposentado Ricardo Purper, lia em casa os textos da aula em voz alta para que ele memorizasse. Na faculdade, ele faz provas orais.Sua monografia, “Análise simiológica de narrações de futebol”, será totalmente em áudio. (Clicabrasilia e G1)

Para fechar com chave de ouro: “Pessoas com deficiências físicas tem capacidade para realizar qualquer atividade”, frase do chefe de Reportagem da Agência Folha, Jairo Marques, que também é cadeirante.

-verdade Marques…..verdade.