Mark Twain

Posted in Comentarios on Julho 20, 2009 by locupletado

Por 3 reais comprei um dos melhores livros de Mark Twain, considerado o escritor que deu início à literatura moderna norte-americana. E a versão que comprei, apesar do papel já amarelo e de rasgar fácil como papel higiênico, é em inglês. A linguagem do livro é fácil mas às vezes complica pois Twain escreve do modo como os personagens falavam na época. Logo quando um negro  fala no livro é um negro dos anos 1800 e pouco(na época escravo)  falando. O nome da obra é “As Aventuras de Huckleberry Finn”.

Ainda estou na metade mas já recomendo. Ele conta a história de um garoto que foge de um pai bebum para viajar sem rumo pelo rio Mississipi. Através do olhar deste garoto Twain defende a abolição da escravatura e mostra sua visão de mundo. Mark Twain, cujo nome verdadeiro era Samuel Langhorne Clemens, também viajou pelo Mississipi. Em determinado momento de sua vida planejou vir para o Brasil, mas acabou virando jornalista e depois escritor, dos bons. Resolvi ir atrás do livro depois de ler um de seus contos, O Homem que Corrompeu Hadleyburg, muito bom também.

O tempo

Posted in Comentarios on Junho 12, 2009 by locupletado

Quem primeiro te cumprimenta e dá às boas vindas ao mundo é o tempo. E a partir daquele instante eu, você e todo mundo nos tornamos espectadores do tempo. Alguns atrás de uma uma mesa grande vestindo um terno, outros sentados no sofá de havianas, um mais privilegiado vê , flutuando, o tempo passar de uma nave no espaço. Aproveite este aviso, vista sua roupa preferida, escolha seu cenário, leve uns aperitivos e apenas veja o tempo passar hoje. (se dá uma retocada nesse texto, daria para fazer uma boa propaganda de relógio)

inspiração veio depois de assistir esse belo vídeo:

http://www.playingforchange.com/episodes/2/Stand_by_Me

Janela Indiscreta

Posted in Comentarios on Maio 27, 2009 by locupletado

Alfred Hitchcock o mestre do suspense. Talvez você já deve ter ouvido essa frase ou esta descrição do cineasta ingles. E, como a maioria dos ditados populares a frase sobre Hitchcock fala a verdade - e nada menos do que a verdade.

Basta assistir um de seus filmes para ser “suspendido” com os olhos na tela. Um exemplo destes clássicos de Hitchcock é Janela Indiscreta. Longa que conta a história de um fotojornalista, acostumado a cobrir guerras mas encontra-se preso em seu apartamento por conta de uma perna quebrada.

O galã(na época)James Stewart faz o papel do cabra duro Jeff. A belíssima Grace Kelly é par com Jeff.  Uma namorada que faz de tudo para agradar o jornalista, mas na maior parte do tempo não é correspondida. Para os espectadores varões chega a dar nos nervos a quase indiferença do personagem.

Mas voltando ao que interessa. O filme não é um romance é um suspense. Jeff, o jornalista durão, para passar o tempo em seu apartamento espia os vizinhos, até com binóculos. Com o passar dos dias conhece intimamente seus “circunmoradores”. Os espectadores também vão conhecendo o bairro, que custou muito dinheiro à Paramount. A produtora montou um estúdio gigantesco para Hitchcock usar nas filmagens.

Acompanhando a rotina de seus vizinhos, dos mais variados tipos e carateres, vale ressaltar, Jeff percebe o sumiço da esposa do morador do prédio localizado de frente para janela de sua sala. Pouco depois vê seu marido um homem gordo, cabelo branco, oclus e olhar desconfiado enrolar um facão em papel de jornal.  O suspense começa. Ele matou sua esposa ou ela fez uma viagem para outra cidade? Com seu binoculos e também a lente de sua máquina Jeff vê ainda muita coisa. E assim como o “desconfiômetro” dele aumenta o do espectador também. Próximo do final cenas de tirar o fôlego tiram o fôlego literalmente. É incrivel como imagens de 1954, sem efeitos especiais, filmagem em HD, ou qualquer outra parafernalia conseguiam gerar tanta emoção.

Brasil e seus gêneros

Posted in Comentarios on Maio 12, 2009 by locupletado

“Uma análise atenta da organização econômica do país nos mostra que o essencial nela, desde a distribuição da população, a estrutura agrária, a disposição dos centros urbanos, a rede de transportes, até o aparelhamento comercial e financeiro, se dispõe sobretudo para atender aos objetivos que desde os remotos tempos de sua formação até nossos dias, a ela essencialmente se impôs: a produção de gêneros exportáveis. E isto sem contar poderosos fatores sociais e políticos que agem no mesmo sentido. Não podia ser de outra forma depois de quatro séculos e tanto de hegemonia de tal sistema econômico, que somente em época recente entrou em sua fase de desagregação”.

Esta citação resumi o livro de Caio Prado Junior “História Econômica do Brasil”. Lendo nos jornais esta semana a volta da empolgação com as comoditties e depois lendo este trecho do livro, achei muito interessante. Alias o livro é muito bom, uma coisa é saber que o Brasil era até pouco tempo atrás apenas um exportador de gêneros, outra coisa é saber quais foram esses gêneros(cana-de-açucar, ouro, pau-brasil, borracha, cacau, café…ect) e como ocorreu seu ápice e colapso.

O segredo do porco

Posted in Comentarios on Maio 4, 2009 by locupletado

Essa gripe suína é uma farsa. Há e-mails circulando sobre o esquema de empresas farmacêuticas que promoveram esse fuzuê para arranjarem uns trocados(não sei se verdadeiros). Oficialmente morreram não mais do que 30 pessoas, o resto é conversa de bar. Alguém pega um resfriado e há uma suspeita de gripe suína(agora o nome foi abolido pois prejudicou os que lucram com os porcos). Por isso as enormes cifras de “infectados” em vários países. Aqui no Paraná já tem fármacia sem mascarinha branca no estoque(pra piorar ainda mais a situação: é comprovado que as mascarinha não servem para segurar virus nenhum. Seria como querer armazenar ou se proteger da água com uma meia). Enfim, não sei qual a razão desta enorme atenção para a gripe suína, mas que tem coisa por trás tem.

A garotinha

Posted in Comentarios on Abril 25, 2009 by locupletado

kim-phuc

Esta é a foto símbolo da Guerra do Vietnã. O nome da menininha de nove anos que está pelada é Kim Phuc. Sua roupa foi queimada pelo fogo de uma bomba de Napalm. Hoje ela mora no Canadá e “preserva” as cicatrizes do fogo.

Depois deste incidente Phuc viveu 15 meses no hospital, passou por meia-dúzia de cirurgias. Obviamente, sobreviveu. E se tornou uma garota propaganda do socialismo. Era impedida de estudar e só podia viajar para países socialistas. Na sua lua de mel, quando viajava para Rússia conseguiu fugir para o Canadá, onde vive até hoje.

Nestes dias Kim Phuc está na Argentina dando palestras, segue um trecho de uma entrevista para o jornal argentino La Nacion e também o vídeo no youtube onde é entrevistada(inglês):

http://www.youtube.com/watch?v=Xhz2gCnhr-I

Cómo se siente el napalm en la piel?

-Es terrible. Causa mucho dolor. El agua hierve a 100 grados, pero el napalm llega a 800 grados. Se mete por debajo de la piel y sigue quemando. No entiendo cómo pude sobrevivir. Nos habíamos refugiado en un templo, pero los soldados vieron los aviones sobrevolando y nos dijeron que teníamos que salir. Empezamos a correr y de repente vi alrededor de mí un resplandor, el fuego quemó toda mi ropa. Mi brazo estaba ardiendo e intenté apagarlo con mi otra mano. En ese instante pensé: “Nunca más voy a ser normal”.

-¿Qué sintió por quienes bombardeaban su aldea?

-Odio. Quería encontrarlos, herirlos, matarlos. Ellos tenían que sufrir más que yo. El odio es en realidad el mayor enemigo que siembra la guerra. Toma todo tu cuerpo, como un cáncer. Cuando tenía 19 años me inscribí para estudiar medicina, pero el gobierno vietnamita descubrió que yo era la niña de la foto y me prohibió estudiar. Me obligaban a hacer entrevistas propagandísticas. Llegué a odiar mi vida. Diez años después, seguía siendo víctima de la guerra. Pero todo cambió el día en que conocí a Jesús y entendí sus palabras de que debemos amar a nuestros enemigos.

-¿Se puede perdonar a quienes le causaron tanto dolor?

-Yo no podía. Pero el día que conocía a Jesucristo, dejé de preguntarme “¿Por qué a mí?” y comencé a obedecer su mandato: pude perdonar. Recuperé la esperanza y los sueños.

La hora del perdón

Kim habla con voz risueña. Resulta difícil creer que sea una persona a la que Vietnam le truncó la infancia. Cansada de no poder estudiar en Saigón, se mudó a Cuba. Allí vivió tres años, aprendió español y conoció a su esposo, Bui Huy Toan, estudiante vietnamita. Se casaron y se fueron a Rusia de luna de miel. “Sólo podíamos ir a países comunistas”, explicó. Pero cuando el avión de regreso tuvo que parar en Canadá para cargar combustible, ella y Toan decidieron desertar y pedir refugio. “Siempre estuve esperando la oportunidad de irme”, dijo. Desde 1992 se establecieron en Toronto.

En 1996, Kim fue invitada como oradora a un acto en Washington, del que participaron veteranos de la guerra de Vietnam. Habló sobre el perdón. Al término de su charla, una grupo de hombres se acercó. Uno de ellos lloraba sin parar. Hubo que esperar 40 minutos hasta que pudo hablar. Era John Plummer, un oficial norteamericano que había coordinado los bombardeos a la aldea de Kim.

¿Cuál fue su reacción frente al oficial norteamericano que cambió su destino?

-El hombre estaba conmovido. Lloró mucho, y cuando pudo me dijo: “Lo siento mucho. ¿Usted podría perdonarme?”. Instantáneamente le dije “Sí, por supuesto”. Nos abrazamos y lloramos juntos. Yo había conocido el perdón, pero ese día experimenté la reconciliación. Hoy somos buenos amigos. Yo sentí que con él había recuperado a mi hermano que murió en aquel bombardeo y él dice que yo soy su hermana menor.

Hoy, Kim es embajadora de la Buena Voluntad de la Unesco y la orgullosa madre de Thomas, de 15 años, y Stephen, de 11.

-¿Cómo les explicó a sus hijos lo que le pasó a la niña de la foto?

-Esa es la parte más difícil. A medida que crecían, yo recordaba mis pensamientos en el momento del bombardeo: “Nunca más voy a ser normal”. Un día, cuando Thomas era muy chiquito y lo alcé, vio mi brazo. Me preguntó: “¿Mami, te duele?”, y comenzó a besar mis cicatrices. Fue muy sanador.

Quem manda

Posted in Comentarios on Abril 14, 2009 by locupletado

Li agora pouco uma matéria macabra no NY Times. Sobre pesquisas de comportamento de garotos entre 6 e 14 anos feitas por um grupo de antropólogos para a Disney. A gigante do entretenimento pretende atrair mais os pequeniNOS(com as pequeniNAS eles já estão satisfeitos). Quem lidera o grupo de pesquisadores é uma mulher que já realizou este tipo de trabalho, com público alvo, para cassinos, entre outros.

As crianças que participam da pesquisa, normalmente um passeio de poucas horas pelo shopping, bate papo ou coisa do tipo não sabem que estão sendo analisadas pela Disney. Os pais recebem 75 dolares “pela força”.

Imaginava coisas do tipo e é óbvio que as Tvs brasileiras também realizam estas pesquisa(principalmente com novela). Por conta disto, é difícil identificar onde começa a influência da Tv no povo e onde o povo comanda a Tv.

Lesson

Posted in Comentarios on Abril 8, 2009 by locupletado

Pelos menos 700 felizardos viram a aula do jornalista/escritor Gay Talese. Quebrando o padrão do Youtube, no qual a maioria dos vídeos possuem no máximo 10 minutos de duração, assisti ontem a esta aula de 50 minutos com Talese(seja também um dos felizardos):

http://www.youtube.com/watch?v=wQZT19waiDs

Ele fala sobre o seu novo livro “Vida de Escritor”, entre outros assuntos.

Propagandas e Brasileiros

Posted in Comentarios on Março 30, 2009 by locupletado

A Folha de São Paulo publicou ontem matéria falando que o governo Lula duplicou o “investimento” em patrocínio e publicidade. Segundo o jornal o gasto publicitário do Estado aumentou 96% de 2003 para 2006, algo em torno de 500 milhões, no ano em que Lula foi reeleito.

Algumas linhas mais para baixo a Folha noticiou que as Casas Bahia é o maior anunciante do país, investindo 3,1 bilhões por ano, em segundo lugar está a Unilever(dona da Kibon, Omo, Dove e Rexona), cujo gasto atingiu 1,75 bilhão.

Das 24 páginas do caderno principal da Folha ontem, metade era de propagandas(a Casas Bahia com suas promoções tava lá, não apenas em uma página, diga-se de passagem). Não havia nada do governo. Por mais que ache errado gastos exorbitantes com publicidade, ainda mais em ano eleitoral, como fez Lula. É importante lembrar que o Estado(normalmente é Petrobras, Caixa e Banco do Brasil) patrocinam muitas coisas importantes. Apenas para ficar em veículos comunicativos: você já leu a revista Brasileiros? Dirigida e idealizada pelo jornalista Ricardo Koscho.

Claro que não saí nada contra o governo, mas neste tempo ”apocalíptico”, noticiado diariamente pelos jornais, é bom descansar a vista lendo algo que mostre algo diferente.  Ou apenas conte uma boa história de um personagem marginalizado, como a Brasileiros faz frequentemente.

Dica

Posted in Comentarios on Março 23, 2009 by locupletado

“Em todos os tempos da história tem havido crises. Mas há uma nítida diferença entre as surgidas antes do crescimento capitalista e as que apareceram depois. Antes do século XVIII o tipo mais comum de crise era provocado pelo fracasso das colheitas, pela guerra, ou por algum acontecimento anormal; eram caracterizadas pela escassez de alimento e outros artigos necessários, cujos preços se elevavam. Mas a crise que conhecemos, a crise que começou a existir com o advento do sistema capitalista não é devida a fatos anormais – parece parte e parcela de nosso sistema econômico; é caracterizada não pela escassez, mas pela superabundância. Nela, os preços, ao invés de subirem caem.

O leitor conhece as outras características das crises e depressões -  desemprego, tanto do trabalho como do capital, queda dos lucros, um retardamento geral da atividade industrial, tanto na produção como no comércio. O paradoxo da probeza em meio da abundância é visto por toda parte.

Há falta de matéria prima? Não. Os plantadores de algodão estão ansiosos para vender seu produto. Há falta de equipamento de capital? Não. Os donos de fábricas estão ansiosos de ver as máquinas de suas fábricas silenciosas trabalhando novamente. Há falta de trabalho? Não. Os trabalhadores desempregados estão mais do que dispostos a voltar às fábricas para fabricar as roupas que lhes estão faltando.

Não. A matéria-prima, o equipamento de capital e o trabalho necessários à produção existem, e, não obstantes a produção não ocorre. Por quê?”

Este é um trecho do penúltimo capítulo do livro “História da Riqueza do Homem”, de Leo Huberman. O livro, escrito em 1936, é muito bom, de linguagem bem fácil e em certos pontos divertida. Como é possível perceber no trecho acima o autor é meio contrário ao capitalismo. Leo Huberman era socialista, mas mesmo que não seja socialista você provavelmente irá gostar do livro(eu gostei e não sou). É mais no final que Huberman apela, bom fica a dica.