O retorno da Realidade
A Editora Abril relançou a edição especial Mulher, da revista Realidade, que foi censurada pela Justiça em 1967, durante o regime militar. A revista já está nas bancas e traz, além das 120 páginas do conteúdo original, um suplemento sobre a importância da publicação na formação do jornalismo brasileiro, com matérias sobre a censura no Brasil e a vida da mulher brasileira em 1967 e 2010.
A revista abordou temas delicados para a época, como aborto, separação, mães solteiras e virgindade. Ela chegou a circular, mas por ordem judicial foi apreendia e acusada de ser obscena.
A edição especial de Realidade custa R$ 20 e em algumas praças pode ser comprada junto com o especial Mulher da Veja.
Histórico de Realidade
Realidade foi uma revista brasileira lançada em 1966 pela Editora Abril. Era caracterizada por uma abordagem mais criativa e ousada, com matérias em primeira pessoa, fotos que deixavam perceber a existência do fotógrafo e design gráfico pouco tradicional. Possuía marcas do New Journalism, movimento que surgiu nos EUA com Truman Capote, Tom Wolfe, Gay Talese, entre outros. A revista circulou até Janeiro de 1976 e se destacava por deixar o repórter viver a matéria por um mês ou mais até a publicação.
Mesmo com um curto período de vida, Realidade foi um divisor de águas na imprensa brasileira, rompeu com todos os padrões estruturais, aboliu o jornalismo tradicional questionando o que não era questionado, dizendo o que não era dito de maneira sutil capaz de fazer o público ler entre as entrelinhas e raciocinar por si próprio. Fazendo o oposto da imprensa tradicional que apenas publicava noticias baseados em senso comum, enquanto em Realidade eram publicadas denuncias que geravam mobilização social.
