Dica
“Em todos os tempos da história tem havido crises. Mas há uma nítida diferença entre as surgidas antes do crescimento capitalista e as que apareceram depois. Antes do século XVIII o tipo mais comum de crise era provocado pelo fracasso das colheitas, pela guerra, ou por algum acontecimento anormal; eram caracterizadas pela escassez de alimento e outros artigos necessários, cujos preços se elevavam. Mas a crise que conhecemos, a crise que começou a existir com o advento do sistema capitalista não é devida a fatos anormais – parece parte e parcela de nosso sistema econômico; é caracterizada não pela escassez, mas pela superabundância. Nela, os preços, ao invés de subirem caem.
O leitor conhece as outras características das crises e depressões - desemprego, tanto do trabalho como do capital, queda dos lucros, um retardamento geral da atividade industrial, tanto na produção como no comércio. O paradoxo da probeza em meio da abundância é visto por toda parte.
Há falta de matéria prima? Não. Os plantadores de algodão estão ansiosos para vender seu produto. Há falta de equipamento de capital? Não. Os donos de fábricas estão ansiosos de ver as máquinas de suas fábricas silenciosas trabalhando novamente. Há falta de trabalho? Não. Os trabalhadores desempregados estão mais do que dispostos a voltar às fábricas para fabricar as roupas que lhes estão faltando.
Não. A matéria-prima, o equipamento de capital e o trabalho necessários à produção existem, e, não obstantes a produção não ocorre. Por quê?”
Este é um trecho do penúltimo capítulo do livro “História da Riqueza do Homem”, de Leo Huberman. O livro, escrito em 1936, é muito bom, de linguagem bem fácil e em certos pontos divertida. Como é possível perceber no trecho acima o autor é meio contrário ao capitalismo. Leo Huberman era socialista, mas mesmo que não seja socialista você provavelmente irá gostar do livro(eu gostei e não sou). É mais no final que Huberman apela, bom fica a dica.